terça-feira, outubro 22, 2013

OUTRA VEZ?

 
Numa operação conduzida pelas Forças Armadas de Defesa e Segurança e pela Força de Intervenção Rápida, o quartel-general da Renamo foi atacado, obrigando à fuga de Afonso Dhlakama, líder da oposição moçambicana. Dhlakama está em parte incerta, embora o jornal online CanalMoz o tenha conseguido contactar. Três vezes candidato à Presidência da República, o presidente da Renamo perdeu em 1994 (33,7%) contra Chissano; em 1999 (47,7%) de novo contra Chissano; e em 2004 (31,7%) contra Guebuza. Não admira. Um homem que passa a maior parte do tempo enfiado num compound em Sadjundjira, na zona da Gorongosa, dificilmente terá condições para impor-se como líder popular. Mal por mal, as pessoas conhecem a Frelimo.

Lembrar que, depois da guerra civil que devastou Moçambique, o país deu uma guinada do maoísmo original para o capitalismo selvagem.

As notícias não são nada tranquilizadoras. Bem pelo contrário. Excerto de um relato do CanalMoz, que assegura que Dhlakama perdeu o controlo das suas forças:

«Entramos para a guerra civil. Guebuza ordena assassinato de Afonso Dhlakama. [...] As Forças Armadas de Moçambique tomaram de assalto, na tarde desta segunda-feira, a residência do presidente da Renamo, Afonso Dhlakama. Desde a tarde de ontem, Afonso Dhlakama não se encontra na sua habitual residência nas matas de Sadjundjira e foi-se esconder em local onde a Renamo não revelou aos jornalistas. Tal ataque acontece numa altura em que o chefe de Estado, Armando Guebuza, encontra-se a efectuar uma visita à província de Sofala. [...] Para a Renamo, a tomada da base do presidente Dhlakama, pelos comandos das FADM/FIR, “marca o fim da democracia multipartidária em Moçambique”, e diz que a atitude “irresponsável” de Armando Guebuza na sua qualidade de comandante em chefe das Forças Armadas de Defesa e Segurança “coloca ponto final aos entendimentos de Roma”. Dhlakama ainda não ordenou à resposta das suas forças. [...]»

Lembrar que, em dezasseis anos de guerra civil (1976-1992), Moçambique tornou-se o terceiro país mais pobre do mundo, logo a seguir à Etiópia e ao Bangladesh. O conflito provocou um milhão de mortos e a fuga de cinco milhões de moçambicanos negros (os números pecam por defeito). Querem isto outra vez?

[A imagem é do jornal i. Clique.]

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