segunda-feira, 25 de setembro de 2017

BUNDESTAG


A vitória da CDU/CSU garante a Angela Merkel o quarto mandato. Até aqui, nada de novo. Preocupantes são os 13% do AfD — Alternative für Deutschland —, que fazem regressar a extrema-direita ao Bundestag. Doravante vai ser instrutivo seguir o comportamento do Parlamento alemão, com a provável aliança dos Democratas-cristãos de Merkel com os Liberais de Christian Lindner e os Verdes de Simone Peter e Cem Özdemir. A ver vamos.

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domingo, 24 de setembro de 2017

O FAKE DO EXPRESSO

Hoje, em Belém, o Presidente da República foi peremptório: «Não há relatório oficial algum, nem da parte do Estado Maior General das Forças Armadas, nem do SIS [Serviço de Informações de Segurança], nem do SIED [Serviço de Informações Estratégicas de Defesa]», sobre Tancos e o ministro da Defesa.

«É importante saber de quem é a autoria do documento, com que intenção foi elaborado e com que objectivos, aparentemente políticos, foi divulgado como sendo das secretas...», disse por sua vez Azeredo Lopes.

Não obstante, Passos e Cristas insistem na patranha.

sábado, 23 de setembro de 2017

LISBOA


Sondagem Aximage divulgada hoje pelo Correio da Manhã e o Negócios.
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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

PORTO


Sondagem do CESOP da Universidade Católica para o Jornal de Notícias. O Porto está ao rubro. Clique na imagem.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

PURGA


Juan Marsé, 84 anos, catalão, escritor eminente, militante anti-franquista, exilado do fascismo, não concorda com a independência da Catalunha. Tanto bastou para que os apparatchik da Generalitat destruam livros seus, em livrarias e bibliotecas, pichando-os de ‘renegado’ e ‘austricista’ (botifler). Que disse Marsé? Que o referendo... «És rigurosamente incompatible con un Estado de Derecho. No necesito otro argumento para rechazar tal propuesta. Yo no soy nacionalista y todas las banderas me repugnan.» Elementar.

SILÊNCIO DE CHUMBO

A Espanha fica aqui ao lado. A saga independentista da Catalunha não nos pode ser indiferente. Um pouco por todo o mundo, intelectuais tomam posição: uns a favor da secessão, outros contra. Em Portugal, como sempre, o silêncio da intelligentsia é de chumbo. Não quero que pensem como eu. Mas tomem posição!

CASTRO & WHITEHEAD


Hoje na Sábado escrevo sobre O Anjo Pornográfico, a biografia de Nelson Rodrigues escrita por Ruy Castro (n. 1948), uma das grandes vozes em língua portuguesa. As suas biografias de Garrincha, Carmen Miranda e Nelson Rodrigues, bem como a história da Bossa Nova, valem por obras inteiras, de ficção e ensaio. O Anjo Pornográfico acaba de ser publicado em Portugal, e embora o livro seja de 1992, conserva todo o ímpeto a que Nelson tem direito. No nosso idioma nunca li nada equivalente. Numa breve introdução, Ruy Castro avisa: o livro é sobre «um escritor a quem uma espécie de imã demoníaco (o acaso, o destino, o que for) estava sempre arrastando para uma realidade ainda mais dramática do que a que ele punha sobre o papel.» Quem leu Nelson Rodrigues (1912-1980), dramaturgo, cronista, romancista, contista, repórter e guionista, sabe que esse homem controverso e excessivo irritou a Esquerda, a Direita, os liberais, os católicos, os vanguardistas, até mesmo a ‘maioria silenciosa’. Porém, foi ele quem, em 1943, com Vestido de Noiva, fez o teatro brasileiro entrar no século XX. Apoiante da ditadura militar brasileira, depôs em tribunal a favor de amigos acusados de ‘terrorismo’, ao mesmo tempo que negociava com o general Médici uma saída airosa para Nelsinho, o filho envolvido com a guerrilha urbana sob o pseudónimo de Prancha (o rapaz foi torturado em 1972, contra ordens superiores). Desconcertante, livrou da prisão e da tortura muitos intelectuais esquerdistas. Mas Ruy Castro não se atém aos anos em que Nelson era já um dramaturgo e intelectual público célebre. As origens familiares no Recife (repórter intrépido, o pai, Mário Rodrigues, teve catorze filhos: Nelson foi o quinto) são descritas com tal minúcia que o leitor julga estar a ler um bom romance. A carreira jornalística e literária são ilustradas com factos e anedotário que compõem um fresco da vida cultural e política brasileira ao longo de várias décadas. O volume inclui fotografias e índice onomástico, bem como a bibliografia de Nelson, a qual refere os vinte filmes feitos a partir de obras suas. Cinco estrelas. Publicou a Tinta da China.

Escrevo ainda sobre A Estrada Subterrânea, de Colson Whitehead (n. 1969), que após um intervalo de catorze anos regressa à edição portuguesa com o seu sexto romance, vencedor do Pulitzer de Ficção 2017 e outros prémios importantes. Tendo o seu primeiro livro, A Instituição É Tudo, passado despercebido entre nós, pode ser que a história de Cora e César (por que razão o tradutor manteve o original Caeser?) cative os leitores para a obra do autor. Cora e César são dois escravos que utilizam a famosa Underground Railroad, a rede subterrânea clandestina que no século XIX permitiu a fuga de dezenas de milhares de escravos do Sul esclavagista para os Estados abolicionistas do Norte. Contado na terceira pessoa, o livro ilustra o quotidiano da época, em particular a bipolaridade política dos brancos da Carolina do Norte: «Forjámos esta nação separada, livre das interferências do Norte e do contágio de uma raça inferior.» Whitehead intercala realidade e “fantástico” (o livro também recebeu o prémio Arthur C. Clarke para literatura de ficção científica), de forma a enfatizar a saga das vítimas dos «cavaleiros da noite». Não teria sido mais simples usar o acrónimo abominável de KKK? Quatro estrelas. Publicou a Alfaguara.

DECLARAÇÃO DE INTERESSES

Para evitar equívocos: sou contra o referendo catalão. Não gosto de referendos, qualquer que seja o seu objecto. Embora adoptado em sociedades democráticas, o carácter plebiscitário dos referendos tem raiz fascista. Dispenso-me de explicar porque existe vasta bibliografia sobre o assunto. Infelizmente, a trapalhada em que Carles Puigdemont meteu a Catalunha vai acabar mal. Para todos.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

VARGAS LLOSA & CATALUNHA


«El referéndum no va a tener lugar y es un disparate absurdo, un anacronismo que no tiene nada que ver con la realidad de nuestro tiempo, que no está por la construcción de nacionalidades, sino al contrario, por el desvanecimiento de las nacionalidades dentro de grandes organizaciones comunes como Europa. [...] El nacionalismo es una enfermedad que desgraciadamente ha crecido de manera lamentable en Cataluña. Mi esperanza es que el Gobierno tenga la energía suficiente para impedir que un golpe de Estado — que es lo que está realmente en gestación — tenga lugar y reciba la sanción que corresponde

O escritor, Prémio Nobel da Literatura, fez estas declarações em Madrid, hoje à tarde.

CONTRA A SECESSÃO


Um manifesto assinado por 234 professores de universidades espanholas, alguns dos quais catalães, exige que o governo actue «com a máxima velocidade, firmeza e determinação para proteger os direitos de todos», ou seja, impedir o referendo: «Os nacionalismos do século XX levaram o mundo a duas guerras apocalípticas e afundaram a Europa na barbárie.» O filósofo Fernando Savater é o primeiro signatário do documento, assinado também pelos historiadores Juan Pablo Fusi, Fernando Garcia de Cortázar e Gabriel Tortella, o sociólogo Félix Ovejero, o constitucionalista Antonio Torres del Moral, bem como Jon Juaristi, antigo presidente do Instituto Cervantes e da Biblioteca Nacional de Espanha.

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BARCELONA


A Guarda Civil espanhola prendeu os catorze membros da equipa responsável pela logística do referendo catalão, incluindo Josep Maria Jové, número dois do Departamento do Tesouro. Além destas 14 prisões, efectuadas em Barcelona, foi presa em Madrid a directora-geral dos serviços informáticos da Generalitat, Rosa María Rodríguez Curto. Cerca de trinta pessoas foram identificadas para averiguação.

A operação, ordenada por um juiz, foi levada ao Congresso e aprovada pelo PP, PSOE e CIUDADANOS. Os deputados do EH Bildu e do PODEMOS votaram contra, enquanto os do PDeCAT e do ERC abandonaram a sala. Carles Puigdemont, presidente da Generalitat, fala daqui a pouco.

Para evitar manifestações, foram cortadas várias avenidas e ruas de Barcelona. Clique na imagem do El País.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

SEM PRECEDENTES


Trump foi hoje às Nações Unidas dizer que não temos alternativa senão destruir completamente a Coreia do Norte... Guterres não pestanejou. Nunca em época alguma um Chefe de Estado fez um tal statement. Se isto não é uma declaração de guerra, imita muito bem. A sessão ainda decorre. António Costa está presente.

Clique na imagem do New York Times.

FLOP

Nunca viajei em companhias low cost. Por curiosidade, fiz duas ou três pesquisas, e nada batia certo: horários impossíveis, aeroportos distantes, tarifas ao triplo do valor anunciado em outdoors, taxas suplementares para tudo e mais alguma coisa, etc. Mas muita gente viaja. E, neste momento, com 173 voos (ou seja, 346 ligações) cancelados até ao fim de Outubro, de e para os aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Funchal e Lajes, estão cerca de 52 mil passageiros apeados, 80% dos quais oriundos ou com destino ao Porto. O CEO da companhia desculpa-se com a deficiente calendarização das férias dos pilotos, mas a realidade é outra: 140 pilotos bateram com a porta e foram trabalhar para a Norwegian, a companhia rival e terceira maior low cost europeia.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

UNIVERSIDADE CATÓLICA


Sondagem do CESOP da Universidade Católica Portuguesa para o Jornal de Notícias, sobre a eleição para a Câmara de Lisboa. Clique na imagem para ver melhor.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

TERROR EM LONDRES


Esta noite, o Governo britânico subiu para nível crítico a possibilidade de um ataque terrorista. Elementos do exército vão substituir a polícia em pontos-chave de Londres e outras cidades do Reino Unido. Downing Street acredita que um ataque em larga escala possa estar iminente. Entretanto, o Daesh já reivindicou o atentado desta manhã na estação de metro de Parsons Green.

Na imagem do Guardian, o engenho explosivo que não detonou por completo, facto que explica a ausência de mortos e apenas 29 feridos. Clique nela.

RATING

A Standard & Poor’s retirou Portugal do «lixo», colocando a notação do país em «grau de investimento». A decisão deve-se à evolução da economia e ao progresso sólido na consolidação orçamental. 

LONDRES: NOVO ATENTADO


Um atentado terrorista no metro de Londres ocorreu esta manhã por volta das 08:17 na estação de Parsons Green. A polícia metropolitana confirma a existência de muitos feridos, quase todos com queimaduras graves devido à explosão. Theresa May convocou para daqui a pouco o comité de emergência Cobra, anunciou Downing Street.

Clique na imagem.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

MILÁN FÜST


Hoje na Sábado escrevo sobre A História da Minha Mulher, de Milán Füst (1888-1967). Conhecido sobretudo como poeta, Füst é o autor deste romance de 1957 que agora chegou à edição portuguesa em tradução directa do húngaro de Ernesto Rodrigues. Inédito no nosso país, salvo um poema constante da antologia Rosa do Mundo, é provável que o livro suscite o interesse dos editores pela obra restante, teatro incluído. Infelizmente, parte importante do Diário foi destruída. O subtítulo, Apontamentos do Comandante Störr, remete para o fio da intriga. O narrador, Jacob, é um marinheiro holandês que não tem ilusões acerca da natureza do seu casamento: «Que a minha mulher me engana já eu suspeitava há muito.» É a primeira frase do livro e o tiro de partida para um longo monólogo interior acerca do adultério e da moral dissoluta de muitos europeus no período entre duas guerras. A escrita reflecte o ambiente decandentista de certos círculos (não esquecer que o narrador é um homem do mar que tirava desforço da infidelidade da mulher) boémios. Füst publicou o livro quinze anos depois de o ter concluído, na ressaca da fugaz contra-revolução anti-comunista de Outubro de 1956. Quatro estrelas. Publicou a Cavalo de Ferro.

TRAGÉDIA GREGA


Há muito tempo que uma peça de teatro não me impressionava tanto como A Vertigem dos Animais Antes do Abate, do grego Dimítris Dimitriádis, em tradução de José António Costa encenada por Jorge Silva Melo. Os Artistas Unidos não podiam ter começado melhor a temporada 2017/18 do Teatro da Politécnica. Um halo de tragédia percorre o texto, onde bissexualidade, loucura, droga, crime, incesto e suicídio compõem um quadro de disfunção familiar levada ao limite. Porque tudo se passa no seio de uma família assombrada pela profecia de Filon (um admirável Américo Silva), o amigo maldito. Do elenco de nove actores gostaria de destacar os mais jovens, em especial João Pedro Mamede, que está a um passo de ser um nome de referência, bem como os de André Loubet e Pedro Baptista, ambos actuando nus durante boa parte do espectáculo. É evidente que o fundo sonoro, pontuado por excertos de Tchaikovski (1812), Verdi (o Dies irae do Requiem) e Offenbach (Barcarola e Can-Can), sublinha o dramatismo da dramaturgia. Muito boa a cenografia de Rita Lopes Alves. Não aconselhado a espíritos impressionáveis. Agora é esperar pelo juízo dos especialistas.

Clique na fotografia de João Gonçalves.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

CAMPANHA NEGRA

Os neo-liberais, a Direita, grosso modo, incensa o mercado livre. Mas, pelos vistos, o mercado imobiliário tem de ser regulado à boa maneira soviética. É o que dá ter os jornais, o PSD, o CDS, as agências de comunicação, etc., atolados de antigos militantes do MRPP, da LCI, do PCP-ML, da UDP e afins. Não vale a pena citar nomes porque existe bibliografia sobre o assunto.